A dificuldade para ouvir pode
surgir em diferentes fases da vida e nem sempre é percebida imediatamente. O
zumbido, a necessidade de aumentar o volume da televisão, a dificuldade para
acompanhar conversas em ambientes com muito ruído e os pedidos frequentes para
que as pessoas repitam o que disseram estão entre as situações que merecem
atenção. No Setembro Azul, mês dedicado à conscientização sobre a surdez e à
inclusão das pessoas surdas, o período também é uma oportunidade para falar
sobre saúde auditiva e os cuidados necessários ao longo da vida.
De acordo com o Censo Demográfico
2022, o Brasil tinha 2,555 milhões de pessoas com deficiência, de 2 anos ou
mais, que apresentavam dificuldade permanente para ouvir, mesmo com o uso de
aparelhos auditivos. O dado faz parte do levantamento do IBGE sobre pessoas com
deficiência. Já no cenário mundial, a Organização Mundial da Saúde (OMS) estima
que mais de 1,5 bilhão de pessoas convivam com algum grau de perda auditiva.
Desse total, cerca de 430 milhões apresentam perda auditiva incapacitante, que
pode demandar cuidados e serviços de reabilitação auditiva.
Segundo o otorrinolaringologista
Thiago Resende, do hospital Santa Casa de Mauá, a perda auditiva pode ter
diferentes causas, como fatores genéticos, infecções, alterações no ouvido,
traumas, exposição prolongada a ruídos intensos, uso de determinados medicamentos
e o próprio envelhecimento.
“Nem sempre a pessoa percebe que
está ouvindo menos. Muitas vezes, os sinais aparecem primeiro em situações do
dia a dia. Diante de mudanças na capacidade de ouvir, a avaliação profissional
ajuda a identificar as características da alteração auditiva. A investigação
pode envolver exame clínico, histórico do paciente e testes como a audiometria,
que contribuem para determinar o grau da perda e orientar a conduta mais
adequada para cada situação”, explica.
Na infância, a atenção à saúde
auditiva começa ainda nos primeiros dias de vida. A triagem auditiva neonatal,
conhecida como “teste da orelhinha”, faz parte dos cuidados recomendados para
os recém-nascidos. Quando há alteração no resultado, a criança pode ser
encaminhada para avaliação especializada e exames complementares.
Além do acompanhamento médico, a
saúde auditiva também envolve prevenção. A exposição frequente a sons muito
intensos é uma das causas evitáveis de perda da audição e a OMS alerta que mais
de 1 bilhão de jovens estão sob risco de desenvolver perda auditiva permanente
em razão de práticas inadequadas de escuta.
“Cuidar da audição é também
observar mudanças que possam interferir na comunicação e na rotina. Ao perceber
alguma alteração, é importante buscar uma avaliação especializada para entender
o que está acontecendo e quais cuidados podem ser indicados”, ressalta Thiago
Resende.
O Hospital Santa Casa de Mauá
está localizado na Avenida Dom José Gaspar, 1.374 - Vila Assis - Mauá - fone
(11) 2198-8300. https://santacasamaua.org.br/.
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